Centenas de torcedores entraram no campo, sob o olhar complacente dos policiais, que mantiveram-se em posição de defesa, com seus escudos, sem, no entanto, impedir a correria da massa.
Testemunhas disseram que as mortes foram causadas por bombas que explodiram assim que torcedores da equipe local do Al Masry invadiram o gramado para agredir os atletas do Al Ahly, a equipe mais popular do Egito.
"Todos os jogadores foram brutalmente agredidos", disse o lateral-direito do Al Ahly, Ahmed Fathi.
O técnico português Manuel José, de 65 anos, do Al Ahly, disse que se viveu um "caos completo". O delegado do Ministério da Saúde em Port Said, Helmy Ali al Atny, disse que muitas vítimas morreram devido a fraturas no rosto e hemorragias internas.
Um brasileiro estava na partida. Fábio Júnior, revelado pelo Campinense e com passagens por Internacional, Flamengo e Vasco, abriu o placar para o Al Ahly. Os torcedores da equipe, mais conhecidos como Diabos Vermelhos, se chocaram com frequência com as forças de segurança egípcias nos protestos que sacudiram nos últimos meses a praça Tahrir, no Cairo.
O chefe da Junta Militar egípcia, Mohamed Husein Tantaui, mandou dois aviões do exército do Cairo até Port Said para buscar os jogadores do Al Ahly e alguns torcedores feridos.
Os incidentes de ontem em Porto Said se transformaram em uma guerra política e ameaçam a transição no Egito. A Irmandade Muçulmana, grupo que por anos foi mantido na ilegalidade e hoje é a maior força política do Egito, acusou aliados do ex-ditador Hosni Mubarak de terem instigado nos últimos meses a violência no futebol, justamente para tentar desestabilizar o país e justificar o controle do regime pelos militares.
"Os eventos em Porto Said são planejados e são uma mensagem dos remanescentes do ex-regime", acusou Essam al-Erian, um dos principais deputados islamistas do recém-eleito Parlamento. Nos últimos meses, o enfrentamento entre torcidas e policiais se transformou em um hábito, muitas vezes relacionados com a situação política do país e não com o resultado das partidas.
Ontem, o Exército se isentou de qualquer responsabilidade e disse que não interveio para não atacar a própria população. Os jogadores acusaram diretamente as autoridades. "As forças de segurança abandonaram o estádio", disse Mohamed Abou Treika, um dos jogadores.
Confira o vídeo que mostra o início da confusão e vídeo do vestiário do Al Ahly durante a tragédia:
Texto de: O diário de Mogi



































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