A Verdade Sobre Aldo Berdoni

segunda-feira, 5 de setembro de 2011.


SANTO PROFETA?

Santo Aldo? Último profeta? Será?

Homem é suspeito de oferecer cura em troca de sexo
Ministério Público investiga se Aldo Bertoni se aproveitava das fiéis em seita criada para adorar a si mesmo.


Um homem de 85 anos é suspeito de abusar de mulheres usando uma seita que ele mesmo criou para adorar a si mesmo. Aldo Bertoni é acompanhado de perto pelo Ministério Público há dois anos, quando a primeira vítima tomou coragem e procurou os promotores. Depois dela, dezenas de vítimas fizeram o mesmo.

A equipe da Record ouviu as vítimas e as autoridades em um prédio no bairro do Tatuapé, zona leste da Capital paulista. Lá funciona a matriz da seita chamada de apostólica, que reúne outros duzentos templos pelo Brasil e 25 mil seguidores.
Aldo construiu uma pequena fortaleza, que é vigiada 24 horas. Lá, ele não conduz as cerimônias e aparece apenas para ser venerado. É uma adoração de quem crê estar diante de um profeta, um vidente, uma divindade. As músicas cantadas durante o encontro servem para exaltar a própria figura de Aldo.

É justamente essa devoção que ajuda a entender o que aconteceu com algumas mulheres ouvidas pela reportagem. Uma delas, que preferiu não se identificar, disse que se dirigiu ao supeito para pedir ajuda ao marido.

- Falou assim pra mim: “não, deixa ele morrer que aí pelo menos você fica pra mim”.
Outra vítima, Claudete, conta outro drama. Desesperada com a doença grave da filha pequena procurou Aldo Bertoni em 2008.


- Eu queria falar com ele pra pedir oração, acreditava que ele podia interceder por nós.

Ela diz que entrou em uma sala pequena usada só para as reuniões particulares. Aldo, então, trancou a porta.

- Ele pegou e falou “e essa dorzinha que você sente aqui?” E já veio e colocou a mão no meu seio. Ai eu peguei e falei pra ele, “mas eu não sinto dor nenhuma no meu peito”, e ai ele falou: sente sim e foi ai que ele começou a me abraçar, me beijar pescoço, na boca, desceu a mão e começou a passar em mim. E ele falava assim “olha nos meus olhos, olha para os meus olhos. E aí, fui ficando muito nervosa e não conseguia sair dele.


Claudete conta ainda que Bertoni ameaçou até matar o marido dela.

- Ele fez a proposta para eu largar do meu marido, que ele ia me dar tudo. [Que eu] abandonasse tudo, que ele ia cuidar de mim.
Assustada, ela fugiu para nunca mais voltar.

- Eu dediquei 35 anos da minha vida a ele; precisava de ajuda espiritual, oração. Poxa vamos te ajudar… Ele quis abusar de mim, sabe.

[...]

Outra vítima, que não quis se identificar porque o marido ainda não sabe dos detalhes do que aconteceu entre ela e Bertoni, afirmou que ele revelou a intenção de ter uma relação com ela.

- [Ele disse] Que eu estava com um problema no útero, que eu estava com câncer, que eu tinha uma doença e que ele precisava fazer isso, que eu ia ser curada.
A vítima contou que chegou a acreditar que estava adoecida e, por isso, os encontros continuaram. Em um deles, Bertoni quis fazer sexo oral. Ela repete o que ele teria dito: “Se você tem problema, eu vou ter que fazer isso com você. Que eu vou soltar algo que vai te curar”.


Em determinado momento, com a intensidade dos abusos, a vítima desconfiou das atitudes de Bertoni, fez exames clínicos que não encontraram nada. Ela abandonou a seita, mas até hoje é perseguida pelas lembranças perturbadoras.

As regras criadas por Bertoni dizem que as roupas precisam ser conservadoras e ainda reforça que é proibido usar maquiagem – como batom, ruge, pinturas nos olhos e esmalte colorido nas unhas – além de dar o comprimento exato das saias: dois dedos abaixo do meio da barriga das pernas.
Claudete chora ao lembrar que seguia as regras e se dedicava à seita desde criança. Ela casou lá e viajava de Porto Alegre, onde vive, até São Paulo para pedir conselhos, até que em um dos encontros Bertoni a agarrou.

- Ele me beijou, beijou bastante. Aí, mandou eu sentar e começou a abaixar, a passar a mão nas minhas pernas. Depois me abraçou de novo e tirou a minha calcinha e mandou eu sentar no banco, ele ficou de frente. Bem de frente pra mim.
A vítima conta ainda como saiu da situação.

- Quando ele abaixou toda a roupa dele, eu vi que não tava certo, eu vi que aquilo não era normal, aí eu levantei.

Bertoni alegava que, ao tirar a calcinha dela e ficar nu para as carícias, ele purificava os pecados da jovem.

- Daí logo eu sai, vim pra casa e ali terminou o meu mundo.

Chorando, ela diz que “estava perdendo a fé em Deus… Eu não confiava mais em Deus”.
- Um trauma muito forte, muito grande. A gente não consegue esquecer.
Claudete reconstruiu sua vida, mas há quem não acredite nas denúncias. Ela diz que quem acusa o líder é considerado louco, “é bandido, não tem perdão. Perde amigos e a família”.


Outra vítima que não quis se identificar repetiu o que ouviu do próprio pai:

- Entre você e ele, eu fico com ele.

Nas cerimônias, os pregadores falam de Aldo Bertoni como um apóstolo, o primaz, o salvador. Atrás do salão principal, há uma sala repleta de fotos dele por todos os lados. Em uma cerimônia, uma produtora do Domingo Espetacular chamou a atenção de Bertoni, que conversou com ela duas vezes. Na primeira, ela diz que não consegue engravidar e ouve uma profecia:

- Em três meses engravida!

Dias depois, na fila dos fiéis, ela pede um encontro reservado e é prontamente atendida. Por segurança, ela não apareceu.

Bertoni também é acusado pelos promotores de enriquecimento ilícito. Ele anda cercado de seguranças e tem oito armas registradas em seu nome.
Um fiel que se tornou empregado de Bertone, Sílvio conta que também acreditava na santidade de Aldo até começar a trabalhar para ele, que visitava as casas de mulheres que seriam suas amantes.

- A partir do momento que eu passei a ser segurança dele, eu falei “você é sujo”. [...] Ele inclusive fazia filmagem para mostrar para os amigos, poxa vida, isso é baixaria.




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