MGF - Mutilação da Genitália Feminina

sábado, 20 de agosto de 2011.
A circuncisão feminina é um ritual comum, praticado em certos países africanos, especialmente na Costa do Marfim, onde vivo. É realizado por certos grupos étnicos e consiste em remover uma parte maior ou menor dos lábios – as dobras macias de pele ao redor da vagina – e o clítoris da mulher ou de uma menina. O clítoris corresponde ao pênis do homem.
A idade da circuncisão varia de acordo com o grupo étnico. Pode ser desde os sete dias de idade até quando se dá à luz pela primeira vez. Geralmente são as mulheres mais velhas que se encarregam deste ritual. Usam objetos afiados como facas, lâminas de barbear ou certas plantas.
As razões para a circuncisão

Muitas razões são dadas. No entanto, o objetivo principal é manter a mulher em submissão ao homem. A circuncisão impede a mulher de desfrutar do sexo na sua totalidade e sendo assim, as mulheres têm uma vida sexual de completa resignação. São mais dóceis porque sentem menos prazer. Algumas pessoas dizem que as mulheres que não foram circuncidadas não podem conceber.

No caso da infibulação, é para garantir a fidelidade da mulher. Na verdade, cada vez que o marido sai em viagem ele realiza a infibulação e no seu retorno ele ‘rasga’ os pontos.


As complicações
Imediatas: 
sangramento grave, às vezes resultando em morte 
ferimentos causados a órgãos vizinhos como a uretra e reto 
infecção devido à falta de higiene, sendo a mais séria o tétano.
Posteriores:
dores severas durante as relações sexuais problemas sexuais, pois a mulher não sente desejo nem prazer 
infecções vaginais repetidas
fístulas.

140 milhões é o numero de mulheres que já foram submetidas a uma das práticas mais hediondas, e que representa um verdadeiro atentado à vida e saúde da mulher. A prática a que me refiro denomina-se Circuncisão Feminina, mais conhecida como Mutilação Genital Feminina – MGF. E a cada ano que passa, este número aumenta em 2 milhões. Estima-se que esta tradição bárbara se pratique em cerca de 29 países do continente africano e em 3 do Médio Oriente. Contudo, esta prática expandiu-se também aos chamados países civilizados da Europa, onde é praticada no seio das pequenas comunidades emigrantes provenientes dos locais já referidos. 
Nos países onde é praticada, a MGF é considerada um pré-requisito para as jovens mulheres contraírem matrimônio. Os homens recusam-se a casar com uma mulher não-excisada, esta chega a ser considerada um híbrido de mulher. As mulheres vítimas da excisão têm o seu desejo sexual reduzido, daí que diminua também a promiscuidade sexual, a vida sem sexo chega a ser mais tolerável. A mutilação é, assim, uma segurança quanto à fidelidade da esposa e quanto à castidade da noiva (o que nem sempre é verdade).

A MGF é uma tradição baseada em conceitos errôneos, existe a crença de que os órgãos genitais femininos são 'impuros’ ou ‘sujos’ pelo que, só através da extirpação ficam purificados. Baseia-se também na idéia de que só o homem tem o direito de desfrutar do prazer sexual. Além de discriminatória, esta prática é extremamente perigosa, uma vez que não envolve quaisquer cuidados higiénicos. Os materiais usados não são esterilizados, muitas vezes estão ferrugentos e é comum a utilização dos mesmos instrumentos para varias excisões (o que poderá levar à propagação de doenças como, por exemplo, a Sida/AIDS). Entre esses instrumentos estão as facas, pedaços de vidros, laminas, gelo, pequenos troncos de árvore, espinhos, folhas e ervas. É, por isso, muito freqüente a ocorrência de infecções graves que, quando não levam à morte, provocam danos na saúde reprodutiva, nomeadamente, a infertilidade.
São 3 os tipos de mutilação genital:

Grau 1: Clitoridectomia ou sunna – consiste na remoção do prepúcio do clitóris , pode também incluir a remoção completa do clitóris . Procedimento: o clitóris é seguro entre o dedo polegar e indicador, puxado para fora e amputado com um corte de um objeto afiado. O sangue é estancado através de gazes ou outras substâncias e é aplicado um penso.

Grau 2: Excisão – baseia-se na remoção do prepúcio e do clitóris com parcial ou total excisão dos lábios menores. Procedimento: a principal diferença neste tipo é gravidade do corte. Normalmente o clitóris é amputado e os lábios menores são removidos total ou parcialmente, muitas vezes com um mesmo golpe. O sangue é estancado com ligaduras ou com alguns pontos, que podem ou não cobrir parte da abertura vaginal. A partir do segundo grau, estamos falando em mutilação. Problemas graves de saúde podem ser causados pela excisão, especialmente durante o parto.


Grau 3: Circuncisão faraônica ou infibulação – consiste na remoção do prepúcio, do clitóris, dos lábios menores e maiores. Procedimento: Os lábios maiores são unidos através de pontos ou espinhos/picos e as pernas são atadas durante 2 a 6 semanas. É deixada uma pequena abertura para permitir a passagem de urina e sangue menstrual (tem normalmente 2-3 cm de diâmetro, mas pode chegar a ser tão pequena como a cabeça de um fósforo). Se depois da infibulação a posterior abertura for suficientemente grande, a mulher poderá ter relações sexuais depois da gradual dilatação, que pode demorar semanas, meses ou, em alguns casos, cerca de  2 anos. Se a abertura for demasiado pequena, tradicionalmente recorre-se à defibulação antes de se ter relações sexuais, normalmente efetuada pelo marido ou um parente feminino usando uma faca ou pedaço de vidro. Em quase todos os casos de infibulação, é necessário recorrer a defibulação durante o parto para permitir a saída do feto e, para tal, é essencial a ajuda de uma parteira pois podem ocorrer complicações para a mãe e/ou o feto.

Tradicionalmente, a re-infibulação é feita após a mulher dar à luz. Este procedimento visa criar a ilusão de virgindade, já que uma pequena abertura vaginal é culturalmente entendida como capaz de dar maior prazer ao homem. Devido aos cortes e suturas repetidos, as conseqüências físicas, sexuais e psicológicas da infibulação são maiores e mais duradouros do que os outros tipos de MGF. Dentre todas as mulheres sujeitas à mutilação genital, 80 a 85% são vitimas do grau 1 e 2, e as restantes 15 a 20% do grau 3.


Principais países onde se pratica a MGF:
Senegal, Egipto, Sudão, Etiópia, Siri Lanka, Somália, Malásia, Serra Leoa, Emirados Árabes Unidos, Índia, Yemen , Indonésia, Omã, Guiné-Bissau, Nigéria, Uganda, Quénia, Tanzânia, Togo, Mauritânia, Gana, Congo, Benim, Camarões, Costa do Marfim, Chade, Gâmbia, Libéria, Mali.


Se a abertura da infibulação for suficientemente grande, a mulher poderá ter relações sexuais depois da gradual dilatação, que pode demorar semanas, meses ou, em alguns casos, tanto tempo como 2 anos. Se a abertura for demasiado pequena, tradicionalmente recorre-se à desfibulação antes de se ter relações sexuais, normalmente efetuadas pelo marido ou um parente feminino usando uma faca ou pedaço de vidro. Em quase todos os casos de infibulação, é necessário recorrer a desfibulação durante o parto para permitir a saída do feto e, para tal, é essencial a ajuda de uma parteira, pois podem ocorrer complicações para a mãe e/ou o feto.
*Foto a esquerda, mulher tendo complicações na hora do parto.* 

Nas mulheres circuncidadas, geralmente é feito cortes grandes – episiotomias – durante o parto pois a abertura da vagina é tão reduzida em tamanho. Corre-se assim o risco de lesar o reto ou a uretra.
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